Dezessete de fevereiro de 2010
Querido R.
Tem tanta coisa que eu gostaria de dizer
olhando nos teus olhos, coisas que me assusta falar alto, porque me dá a impressão de que tudo pode acabar sem sequer ter
realmente começado. E é arriscando parcialmente tudo, que com palavras escritas
que me parecem mais leves, e com uma coragem nascida de sei lá onde, eu digo...
Não é amizade anjo. Nunca foi. Eu te
amo desde a primeira vez que eu te vi. Só demorei um pouquinho pra assumir isso
pra mim mesma. Basta ver como eu fico boba, como todo muro que eu construí
de repente some, como eu sou tão diferente da garota bruta eu costumo ser,
quando estou com você.
Deus, como eu queria estar com você nesse
exato momento... Como eu gostaria de estar rindo de alguma bobagem que você
falou, ou implorando pra você parar de me fazer cócegas. A gente se conhece tão
bem. Sorrio que nem boba toda vez que lembro de cada plano que a gente traçou
junto, cada sonho. Dos problemas cuja solução sempre era um abraço demorado.
As não palavras que nunca foram tão boas pra confortar como eram com você.
Me assusta aprender o que é o amor sem ter
você pra me explicar, tudo agora é sobre você. É você de tantas
formas que não sobra espaço pra mais ninguém. É você e eu acho que sempre foi,
talvez sempre seja.
Estou meio enrolada com algumas coisas, e
é nessas malditas horas que eu mais sinto a tua falta. Sei que o tempo não tem
estado ao nosso favor, muito menos com eu escrevendo cartas como essa e estando
tão longe, eu sei. Mas saiba que não tem um dia sequer que eu não queira voltar
correndo só para ter os seus braços ao meu redor novamente.
Nesse meio tempo, que será um pouco longo,
eu acho. Talvez você acabe arrumando uma boa garota com a qual passar, ou para
amar de verdade, quem sabe. Porque comigo ou não, é hora, amor. Você já
foi tão cafajeste que vai ficar cada vez mais difícil encontrar alguém que confie nas tuas
mentiras, apesar de ter os seus momentos de verdade. Você precisa ter alguém. E
talvez até encontre alguém que entenda todas as tuas mancadas melhor que eu.
Alguém que não cantarole o que você odeia nos dias mais quietos, e que não te
faça ficar resfriado toda vez que chove. Talvez você precise de alguém que
não te faça assistir porcarias e perder noites de sono por causa de problemas
infantis.
Você precisa de um coração para onde
voltar quando estiver difícil, você sabe. E me assusta-para não dizer que
me dói até a alma- pensar que você consiga encontrar alguém que te dê tudo isso
por ai, enquanto eu penso incessantemente em voltar pra você, e me prendo
a isso de tal forma que não sobra espaço pra ninguém que queira se aproximar. Mas eu entendo se já tiver alguém, apesar de me parecer estranha a ideia de você com uma garota só. Ainda assim iria julgá-lo por ainda não ter me contado, e entendo também se não quiser responder essa carta.
Sinto a sua falta. Eu te amo. Espero que
não ache que falei demais.
Hannah.

2 Response to Carta nunca enviada.
Lindooo de mais *.*
Pessoas tem o maior dom que se foi dado a qualquer criatura, amar.
Mas bom mesmo, é exercê-lo.
Simplesmente real este texto. Gostei =)
muito bom... muito bom.
bjs.
http://contosdeumaalmapenada.blogspot.com
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